Inferno é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação. A origem do termo é latina: infernum, que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior".
Etimologia
A palavra inferno, que hoje conhecemos, origina-se da palavra latina pré-cristã inferus "lugares baixos", infernus.[1] Na Bíblia latina, a palavra é usada para representar o termo hebraico Seol e os termos gregos Hades e Geena, sem distinção. A maioria das versões em idioma Português seguem o latim, e eles não fazem distinção do original hebraico ou grego:
| V.T. Hebraico | V.T. Grego | N.T. Grego | Latim | Português | vezes no N.T. |
|---|---|---|---|---|---|
| Seol [2] | Hades | Hades [3] | infernus | inferno | 10 vezes |
| Ge Hinom [4] | Ennom [5] | Geena [6] | infernus | inferno | 11 vezes |
Portanto, as palavras Hades e Sheol, ambas com mesmo significado, tem conotação clara de um lugar para onde vão os mortos. Segundo a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, Hades se refere a sepultura comum da humanidade, lugar onde vão todos os que morrem.
Já a palavra Geena se refere a uma condição. Sendo esta a condição daqueles pecadores não arrependidos: destruição eterna.
De fato, não existe inferno de fogo literal, lugar de tormento eterno para onde vão os maus. Quando a Bíblia menciona inferno nada mais é do que a própria condição da morte. Romanos 6: 23 diz: "Pois o salário pago pelo pecado é a morte, mas o dom dado por Deus é a vida eterna por Cristo Jesus, nosso Senhor."
Mudanças no Sentido da Palavra Inferno
O Dicionário Expositivo de Palavras do Velho e do Novo Testamento diz a respeito do uso de inferno para traduzir as palavras originais do hebraico Sheol e do grego Hades (Bíblia): Hades . . . Corresponde a Sheol no Antigo Testamento. Na Versão Autorizada do A.T. e do N. T., foi vertido de modo infeliz por Inferno.[9]
A Enciclopédia da Collier diz a respeito de Inferno: Primeiro representa o hebraico Seol do Antigo Testamento, e o grego Hades, da Septuaginta e do Novo Testamento. Visto que Seol, nos tempos do Antigo Testamento, se referia simplesmente à habitação dos mortos e não sugeria distinções morais, a palavra ‘inferno’, conforme entendida atualmente, não é uma tradução feliz.[10]
O Terceiro Novo Dicionário Internacional de Webster diz: Devido ao entendimento atual da palavra inferno (Latim Infernus) é que ela constitui uma maneira tão infeliz de verter estas palavras bíblicas originais. A palavra inferno não transmitia assim, originalmente, nenhuma idéia de calor ou de tormento, mas simplesmente de um lugar coberto ou oculto (de . . . helan, esconder).[11]
A Enciclopédia Americana diz: Muita confusão e muitos mal-entendidos foram causados pelo fato de os primitivos tradutores da Bíblia terem traduzido persistentemente o hebraico Seol e o grego Hades e Geena pela palavra inferno. A simples transliteração destas palavras por parte dos tradutores das edições revistas da Bíblia não bastou para eliminar apreciavelmente esta confusão e equívoco.[12]
O significado atribuído à palavra inferno atualmente é o representado em A Divina Comédia de Dante[13], e no Paraíso Perdido de Milton[14], significado este completamente alheio à definição original da palavra. A ideia dum inferno de tormento ardente, porém, remonta a uma época muito anterior a Dante ou a Milton.
O Inferno de Fogo e a Igreja
O conceito sobre o inferno de fogo começou a ser adotado pela igreja católica principalmente a partir do 2.° século EC, bem depois da época dos primitivos cristãos
No entanto, os primeiros Pais da Igreja discordavam na questão do inferno. Justino, o Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Cipriano acreditavam que o inferno era um lugar de fogo. Orígenes e o teólogo Gregório de Nissa achavam que o inferno era um lugar de separação de Deus — de sofrimento espiritual. Agostinho de Hipona, por outro lado, sustentava a ideia de que o sofrimento no inferno era tanto espiritual como físico — conceito que passou a ser aceito. “Por volta do quinto século a rigorosa doutrina de que os pecadores não terão uma segunda oportunidade após a vida, e que o fogo que os devorará jamais se extinguirá, prevalecia em toda a parte”.[15]
No século XVI, reformadores protestantes tais como Martinho Lutero e João Calvino entenderam que o tormento ardente do inferno simbolizava passar a eternidade separado de Deus. No entanto, a ideia de o inferno ser um lugar de tormento ressurgiu nos dois séculos seguintes. O pregador protestante Jonathan Edwards costumava aterrorizar o coração dos colonos americanos no século XVIII com a descrição vívida do inferno.
Pouco depois, porém, as chamas do inferno começaram a diminuir lentamente. “O inferno quase morreu no século 20”.[16]
Inferno como arquétipo contemporâneo
A fusão entre paixão, desejo, pecado e condenação envolvida na imagem do Inferno permitiram ao imaginário contemporâneo imaginar antes lugar de prazer e de servidão ao prazer do que propriamente de sofrimento ou purificação. O fenômeno é bem observado na cultura cristã que, no seguimento dos esforços aplicados às ideias de purificação do monoteísmo, condenou as divindades mais materiais da fertilidade, das paixões e da energia sexual, o que literalmente as transformou em demônios. Assim, os arquétipos da paixão e do prazer ficaram associados ao do inferno, com a conseqüente mudança de sentido e de atração sobre a imaginação.
Outras correntes de pensamento actuais, curiosamente também com base na cultura católica-cristã, demonstram a sua opinião de inferno não como um local físico, mas antes como um estado de espírito, indo ao encontro da ideia preconizada por diversas correntes filosófico-religiosas partidárias da reencarnação.

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